Dispenso Flores



Dia 08 de março comemorou-se o “Dia Internacional da Mulher”. Para muitos, as homenagens às “mulheres maravilhosas que embelezam o dia com a sua sensibilidade e doçura” se estende pela semana. Estaríamos, então, na “Semana da Mulher” e este post ainda teria a sua razão de ser. Me poupe. Também me poupe as flores. Dispenso.


Fato é que todo dia é nosso. Do amanhecer ao anoitecer. E nele trabalhamos, ralamos, transamos, corremos atrás de prejuízos, amamos, criamos filhos, cuidamos de casa, de macho, de patrão, do “homioffice”. Mulher é guerreiro de saia, batom e salto alto desde que o mundo é mundo. Bicho esquisito, como já disse Rita Lee, todo mês sangra. E não chama o testamenteiro por causa disso.


Mulher merece respeito. E foi para exigir o respeito que merece, que historicamente mulheres vêm marchando em defesa de melhores condições de trabalho, de salários, do direito à cidadania, do respeito ao seu corpo e de ir e vir. Desvincular o 8 de março da história do movimento operário, das lutas femininas por igualdade de direitos é a face comercial do feminicídio. Portanto, dispenso mimos.


Poxa, Rosa, você não gosta de receber flores? Claro, Amora. Adoro. Mas não como instrumento para esquecer quem sou, para minimizar minha potencialidade, banalizar minha sabedoria, sepultar as lutas de mulheres que vieram antes de mim e que sofreram absurdamente para garantir que no futuro, uma mulher pudesse se sentar diante deste teclado e escrever para você, leitora, que agora me lê. E para você também, leitor, que aprecia literatura erótica escrita por mulher.


É preciso lembrar que as letras nos foram negadas por séculos. Por sermos mulheres, não podíamos saber ler nem escrever. E dentro desse imenso campo de negações ao feminino, também é preciso lembrar que existem matizes, gradações de violência e negação, a depender da posição social e da cor da pele.


A prosa de hoje é para nos lembrar de termos Sororidade. Somos muitas, milhões, de diferentes cores, culturas, saberes, histórias, desejos e lutas. Mas em cada uma, de forma única e unívoca se abriga a divindade da vida. Isto significa que nenhum ser humano, em qualquer lugar da face deste planeta, desde tempos imemoriais, existiria se não fosse por uma mulher. Portanto, me poupem da cantilena jeca, que em pleno século XXI insiste em nos colocar rótulos de bonecas sensíveis e delicadas, que precisam de tutela masculina, inclusive a legislar sobre seu corpo. Não precisamos. E menos ainda de machos escrotos a nos dizer que fazer. O que precisamos é de respeito. Pelo que somos, pelo o que pensamos, pelo o que escolhemos fazer.


E se você, “menino homem que veste azul” entender isso, vai entender também o privilégio que é ser objeto de afeto de uma criatura com tamanho poder. Dispa-se de seus medos, rapaz. Entregue-se. Mulher até morde. Mas depois assopra.



Beijos da Rosa e até a próxima prosa!

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