Venha de língua, rapaz!




Do latim cunnilingus, a prosa de hoje é sobre a arte de adorar uma mulher. Chega na prosa, que o papo está tão gostoso quanto manga madura...

Long time ago, nas vastas estepes do patriarcado cristão, a ideia de amor verdadeiro – abençoado por Deus e coroado pelos anjinhos da Fiorucci – só era possível entre homens. Sim, estou falando dos varões de Cristo que saquearam, roubaram e estupraram em nome da fé e que só enfiavam seus cajados sagrados, obviamente não ilibados, nas “fendas imundas” de suas esposas, através de buracos em camisolas. É aquele velho papo de que a vagina seria a entrada do mau no mundo. Já falamos sobre isso aqui. Também já te falei que dispenso voucher para viagem no tempo, em qualquer época do ocidente. Aliás, ultimamente tenho dispensado voucher pra ir a qualquer lugar! Sobretudo numa época em que a roda da história parece andar pra trás.


Ainda que para alguns, o sexo seja mesmo uma atividade pautada por rígidos parâmetros morais, o cotidiano privado no qual as sexualidades se exercitam não reproduz a prédica moral dos púlpitos. Nem antes nem hoje. Assim, a dispensa honesta da hipocrisia revela que a sexualidade é coisa de foro íntimo, diz respeito às donas e donos dos próprios corpos, desde que maiores, devidamente vacinados, conscientes e consentidos. Nesse sentido, entendo, mores, que o prazer deve ser celebrado em todas as suas formas e cores e nós, meninas lindas que existimos desde sempre, porque somos a semente primeva do mundo, temos o direito de ser adoradas. Acho que é uma questão de respeito, a pessoa que deseja o nosso amor, prestar as devidas homenagens ao nosso clitóris, o centro nevrálgico dos nossos orgasmos!

Pintura Digital de Milk for my Coconut (Mateja Petkovic)


Por outro lado, chega a ser estarrecedor que em pleno século XXI, algumas pessoas ainda acreditem que o clitóris se restrinja a uma circunferência no alto da vulva, escondidinho – de tão sensível que é – entre os pequenos lábios. Bons entendedores sabem que esta é a parte visível do clitóris, a glande clitoriana, e não o clitóris propriamente dito. Este órgão, que foi concebido pela grande arquiteta da vida, com o único intuito de nos proporcionar prazer, em sua maior parte é interno e se esparrama por toda a nossa área de lazer. Aliás, como explicam em artigo publicado em 2019, Nicole Telfer e Clar MC’ Weeney:


“A maior parte do clitóris não é tipicamente visível quando olhamos para a vulva. Conectado à glande clitoriana, está o corpo do clitóris. O corpo clitoriano se projeta para cima em direção à sua pelve e é conectado através de ligamentos ao seu osso púbico. Do corpo (localizado em frente à uretra), o clitóris se divide em dois para formar os ramos do clitóris ou cruris (essas são as “pernas” do clitóris) e os bulbos vestibulares. Esses bulbos se estendem através e atrás dos grandes lábios, passando pela uretra, canal vaginal e em direção ao ânus. Os bulbos e os ramos do clitóris contêm um tecido erétil que incha com sangue durante a excitação sexual. Ao inchar em cada lado do canal vaginal, eles aumentam a lubrificação na vagina, enquanto aumentam a estimulação sexual e a sensibilidade. Essa expansão do tecido clitoriano também pode causar pressão que é aplicada à parte de trás do canal vaginal[1].


Acertou quem deduziu que, no final das contas, o orgasmo vaginal e até o nosso controverso “Ponto G” está ligado ao clitóris. Entende quando eu digo que vale a celebração? Bom, a arte já entendeu isso há tempos. Além do quadro acima, do artista sérvio Mateja Petkovic, pense, por exemplo, em A origem do mundo, pintura realista de Gustave Coubert, feita em 1866, no auge do moralismo vitoriano. O quadro é exibido até hoje no Museu d’Orsay, em Paris e retrata de maneira clara o que o próprio título da obra diz. Indo à Paris, quando possível, não deixe de admirar.



No caso das artes literárias, o uso de metáforas costuma ser mais recorrente. E nem precisamos ir à Paris e tomar um café no Quartier Latin para admirarmos metáforas de bom gosto. Por aqui mesmo, a letra sensacional de Alceu Valença já celebrou o prazer inequívoco de um belíssimo sexo oral na sua “Morena Tropicana”:

“Da manga rosa quero o gosto e o sumo/ Melão maduro, sapoti, juá / Jaboticaba, teu olhar noturno/Beijo travoso de umbu cajá/Pele macia é carne de caju/Saliva doce, doce mel, mel de uruçu”.

Já na literatura hot dos nossos tempos, as metáforas convivem de forma até confortável com a narrativa explícita, faz é tempo. Por isso, não é possível dizer que abandonaram de vez o campo das letras. É claro que o grosso dessa produção tem por tema os relacionamentos afetivos heterossexuais e, nestes termos, a erótica descrita apresenta homens que são grandes entendedores do cortado. Especialistas em levarem suas mulheres ao clímax, eles tanto aparecem como excelentes chupadores quanto fodedores de primeira.


Eu acho essa literatura hot um barato e me divirto muito com ela. Até porque, escrevo, né? Mesmo assim, é bom fazermos alguns alertas quanto à redução do erógeno feminino ao clitóris e aos mamilos. Dito de outra forma, e bem ao gosto da Rosa, em buceta e peito. Não se trata de quere impor ao texto do romance uma lógica científica que, no trato literário, desvirtuaria a própria literatura. Se estou vendendo fantasias, nada mais lógico que meus bonitões de romance levem suas heroínas às explosões orgásticas em, digamos... seis parágrafos? Tudo bem. Seis páginas e não se fala mais nisso. De qualquer forma, todas nós sabemos que a despeito da quantidade de páginas ou de parágrafos utilizados para se descrever uma cena hot, ela jamais vai corresponder às respostas femininas da realidade. Primeiro, porque cada mulher é única. Segundo, porque, conforme gosto sempre de insistir, este é um universo de fantasia e de entretenimento.


Ainda que o clitóris seja de fato o centro nevrálgico do prazer feminino, acho importante que a literatura erótica (também a erótica da realidade, é claro), se lembre de que o maior “órgão sexual” é a pele! Sobretudo em se tratando de nós, mulheres, a pele, toda ela, é um manancial extremoso de sensações, que um artista criterioso e dedicado tem por obrigação explorar. Isso significa “espraiar” toques, mordidas beijos e línguas não apenas entre coxas e seios, mas por todo o corpo da mulher. Fazendo “bem feitinho”, a adoração ao clitóris, com suas lambidas doces e ritmadas se tornam poesia pura, a despeito do nome horroroso que o latim consagrou: cunnilingus. Bora de exemplo? Bom, eu acho uma delícia a cena em que Hank Caruzzo literalmente se ajoelha diante de Juliet Blair, numa das cenas mais sexys – e por que não divertidas – de Mar de Desejo.




“A simples presença daquele homem na sua cozinha, tornava tudo ao redor, inclusive seus imãs de geladeira, totalmente cafona...! Ele era tão bonito, que qualquer coisa parecia horrorosa: os imãs de polvo, as canecas coloridas, a fruteira de golfinhos e até ela mesma, enfiada naquele roupão ridículo!

− Se eu soubesse que você viria, teria colocado uma roupa mais... adequada. Sinto muito. – tentou imprimir um tom casual na frase azeda. Mas Hank foi forçado a olhar para a roupa que ela considerava inadequada. E lentamente.... cravou os olhos no par de pernas bronzeado.

− Você está incrível. − rebateu com a voz gutural. Não precisou mais do que isso para que seu pau começasse a endurecer.

Ela lhe estendia uma caneca cheia de sorvete. Como alternativa à catástrofe iminente, ele tentou focar a atenção na temperatura da caneca, na cor laranja do sorvete e na própria respiração.

Mas era hipnótico... Seus olhos permaneciam cravados em Juliet Blair, atentos em seus movimentos: ela se sentando na cadeira... esforçando-se para manter o roupão fechado... a peça insistindo em se abrir...

Seus olhos passearam pelas coxas morenas. Depois subiram para a curva dos seios. Alcançaram o pescoço... e a boca.

Meu Deus! Aquela boca pagava um boquete sem explicação, de tão gostoso!

A memória reconduziu-o ao momento em que os lábios carnudos se fecharam em torno do seu pau, chupando-o, lambendo-o, movimentando-se para cima e para...

Hank! – a sanidade gritou em sua cabeça.

Ele engoliu bem umas três colheradas de sorvete, determinado a colocar um freio nas imagens lascivas que insistiam em tomar forma em sua cabeça.

Mas... mesmo com a garganta quase dormente, os olhos foram, de novo, capturados pelo movimento da respiração que fazia os seios de Juliet subirem... e descerem... E aquele par de seios foi se esfregar no seu rosto, imiscuindo-se em seus lábios, convidando-o a mamar nos bicos eriçados...

Engoliu em seco. Enfiou na boca outra colherada de sorvete.

Devagar, como num filme em slow motion, uma gota de sorvete foi caindo da colher que Juliet segurava. Foi caindo... caindo... até se esparramar na coxa.... E ali, o tom laranja do sorvete contrastando com a pele bronzeada...praticamente o convidou à fantasia.

Hank podia sentir a língua se enredando naquela perna... subindo para o interior da coxa... lambendo os dedos que limpavam distraidamente a gota que deslizava...

Seu pau ficou tão duro que foi pressionado pelo jeans.

Meu bom Deus...! Por que eu não escolhi uma calça larga?!

Sua situação era vexatória. Tanto, que ficou desesperado. Rapidamente depositou a caneca na mesa e começou a tirar o blazer. A intenção era colocar a roupa nas pernas e disfarçar a ereção. Mas executou os movimentos com gestos tão atabalhoados, que Juliet se surpreendeu:

− O que foi?!

− Calor! Nossa! Não está sentindo?! Tá um calor absurdo, aqui!

Fez o que pretendia, mas não sentiu alívio. O calor lascivo que se irradiava do pênis empedernido para o resto do corpo, pressionava suas têmporas, turvando toda e qualquer forma de raciocínio.

Hank se esqueceu do motivo da visita. Também foi perdendo a noção de tempo. Não conseguia se lembrar sequer da última que frase dito! Por pouco não pegou o pote de sorvete e colocou-o em cima do pau, numa última e desesperada tentativa de acabar com aquele tesão enlouquecedor...!

Se, pelo menos, Juliet falasse alguma coisa, qualquer coisa! Ele tentaria se concentrar em suas palavras... Forçaria a mente a voltar a trabalhar... Impediria que o instinto continuasse ganhando terreno, embotando a sua razão. Mas o silêncio forçado só fortalecia o fio que mantinha seus olhos grudados nas coxas dela, acompanhando o movimento vagaroso do cruzar e descruzar de pernas...

− Você quer cassis...?

A voz de Juliet veio de longe... quase um eco de outra dimensão. Ele não ouvia mais. Estava preso à fantasia, passeando a língua em suas coxas...

− Hank, você quer...?

Dezenas de diabinhos dançaram na frente dele, rindo, provocando, incitando os seus sentidos. Os diabinhos perguntaram: Você quer Hank...?

− Eu quero...− ele respondeu.

Duas gotas de licor de cassis refizeram o caminho vagaroso da gota de sorvete. Foram caindo... caindo... bateram nas coxas num baque surdo... foram seguidas por uma mão delicada que desceu para limpar o licor.... que escorria pelo o meio das pernas... e parou. Parou suspensa no ar, a centímetros da cabeça loira que barrara seu caminho.

Hank se ajoelhou seguindo os diabinhos. Eles o puxaram por uma corda invisível e lhe indicaram o fino rio de cassis, que escorria pelas coxas de Juliet Blair...

Ela fechou os olhos. A hora fatídica da sua tortura e da resistência da sua vontade, havia chegado!

Sabia que não seria fácil. Mas em momento algum imaginou que resistir a Hank seria uma verdadeira batalha!

Ele lambia vagarosamente o licor na sua coxa. Foi insinuando a língua molhada, ligeiramente resfriada pelo sorvete, pelo meio das suas pernas. Subiu os dedos embaixo do roupão... e deixou que eles se enrodilhassem nas extremidades da sua calcinha, forçando-a, delicadamente, para baixo.

Juliet suspirou. O desejo mandava que afastasse as pernas... que erguesse os quadris para liberar a peça... que enfiasse as mãos naqueles cabelos loiros com reflexos de cobre e mandasse tudo para o inferno!

Ela estava disposta a resistir! Certamente não em nome da moral e dos bons costumes, mas em nome da sua dignidade...! O problema é que a dignidade parecia não estar nem aí para seus esforços!

Juliet levou a mão à boca e mordeu os dedos. Não iria gemer! Não iria gemer!

Começou a vasculhar o cérebro em busca de uma distração, de algo que retirasse seus sentidos dali...! Mas a língua de Hank começou a descer por suas pernas... circundou seus joelhos... lambeu... e lambendo... foi chegando a seus pés.

Ele segurou seu pé com carinho. Parecia fascinado em sustê-lo na palma da mão. Quando abaixou a cabeça para beijá-lo, o fez como com reverência, como um devoto diante de uma imagem sacra.

Juliet respirou profundamente. Inspira. Respira. Inspira...

Com mil diabos, isso é covardia...!

O homem beijava cada centímetro do seu pé! E depois de cada beijinho... ia lambendo a pele molhada pelo beijo... até chegar, enfim... nos dedos!

Hank envolveu cada dedo de seu pé com os lábios... e começou a chupá-los!

Não! Ai, meu Deus... Não!

Ela se digladiava com a lascívia. Segurou-se no assento da cadeira. Fechou os olhos. Tentou se lembrar do primeiro capítulo de sua tese de Doutorado...

O presente capítulo pretendo discutir...

O desgraçado, filho da puta... voltou a lamber seus pés! Primeiro um... depois o outro... E foi subindo beijos molhados pela extensão da sua perna.

O que faria?! Deus do céu, o que faria, se aqueles beijos chegassem para onde se encaminhavam...?!

Pense em outra coisa, Juliet, pense em outra coisa... qualquer coisa!

Hank não lhe deu tempo, sequer, para tentar reorganizar as ideias. Os beijos nem chegaram ao meio das coxas, pois ele enfiou os dedos nas laterais da sua calcinha e num único gesto arrebentou a peça.

As mãos enormes simplesmente afastaram suas pernas, de uma vez só! Num gesto seco, breve, bruto. E numa fração de segundos, a cabeça de Hank repousou entre suas pernas.

Quando a língua úmida começou a lamber seu grelo, Juliet sentiu duas lágrimas quentes escorrerem pelos cantos dos olhos.

Queria gritar! Mas gritar de desespero, porque era impossível não sentir que o mundo se desmanchava, com ela se liquefazendo dentro dele....

A tese foi sumindo. Com ela todos os capítulos... Todos os seus dados... Toda a sua pesquisa... e toda a sua identidade. Num último esforço... num derradeiro e heroico esforço, vasculhou o cérebro em busca de qualquer outra coisa na qual pudesse se agarrar e passar por aquela tortura com um resto que fosse de compostura. E só conseguiu a lembrança ridícula de uma lista de compras...

Dois quilos de batata... Meia dúzia de feijão...

A língua de Hank continuava, lambendo seu clitóris em movimentos ascendes...

Dois metros de fósforos...

Delicadamente, entre a “dúzia de feijões e os metros de fósforo”, ele colocou o dedo em sua vagina. Juliet arquejou. Apertou as mãos no assento da cadeira e fechou os olhos com força. Involuntariamente, fechou também as paredes da vagina em torno do dedo dele....e, mais uma vez, foi como se liquefazer...

O dedo pressionava resoluta e docemente uma porção ligeiramente protuberante, a pouco mais de quatro centímetros da abertura. Desde quando aquilo estava ali?! – se perguntou, a um passo de cair no precipício.

Forçou a mente, recusou-se à entrega e recitou mentalmente a lista de compras:

Três metros de fósforos... Dez quilos de ovos... Não... Dez.... Dúzias...Não...

Perdeu.

Perdeu fragorosa e vergonhosamente, a batalha que lutava contra a boca e o dedo de Hank....

− Ah...! Ah...! Ah!

Ela estava gozando. Escancaradamente, ela estava gozando na boca dele!”



Não é novidade pra ninguém que entre os meus bonitões de romance, o Hank Caruzzo é o meu favorito. Se eu pudesse escolher no mundo ou, melhor ainda, mandar fazer um (e um dia vamos chegar isso, se a deusa quiser e ela há de querer!), eu encomendava um Hank pra mim! Alto, loiro, boa praça, politicamente correto, amoroso, cuidadoso, arqueólogo e atleta, este homem lindo e cheio de predicados espera por você no formato impresso na loja do meu site ou nos melhores marketplaces do Brasil. Mas se você deseja degusta-lo no seu celular, fique sabendo que ele está a seu dispor, no app da Buenovela! Nesse dia dos namorados, amora, você merece um Hank para chamar de seu.


Beijos da Rosa

E até a próxima prosa!



[1] TELFER, Nicole; MC’WEENEY, Clar. O que é o clitóris e onde fica. Helloclue. Postado em 01 julh. 2019. Disponível em: https://helloclue.com/pt/artigos/ciclo-a-z/o-que-e-o-clitoris

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