O romance hot e a erótica feminina

Atualizado: 29 de set.



Que a fêmea humana é uma caixinha de surpresas, todo mundo sabe.

Não é à toa que a Tia Rita Lee já cantava, lá nos idos da década de 1980, que mulher é bicho esquisito. Afinal, todo mês sangra e não morre. Todavia, se existe um bicho homem que é capaz de desvendá-la, abrindo-a como a uma boneca matrioska e conquistando o núcleo, até então inexpugnável, do seu prazer, é o bonitão de romance. Romance Hot, Amoras. Bem entendido. Como diríamos aqui nas Minas Gerais, o galã do hot entende do cortado.


É óbvio que detratores não faltam. Impossível esquecer do comentário inconformado, feito pelo marido de uma leitora, sobre o bonitão de “O clichê do elevador”, ainda na sua primeira edição[1].


Apesar da ampla inteligência erótica do personagem e sua capacidade inquestionável de decodificar o alfabeto de letras erógenas da mocinha, o marido ateve-se, exclusivamente, ao “palmo e meio” de pica do protagonista. Segundo a leitora que, aliás, tinha oferecido o conto como material didático para o bruto, o homem ficou horas, senão dias, simplesmente repetindo a impossibilidade dos dotes do rapaz.


Romance hot possui cânones. E um deles é o calibre da rola

Bom, leitora hot que se preze sabe que este tipo de romance possui cânones. E um deles, claro, é o calibre da rola. Por aqui não pode mixaria. Bonitão de romance hot é pauzudo MESMO. E por um motivo muito simples: trata-se de ficção. Vamos combinar, né Amora, que não estamos escrevendo realismo romântico. Deus me livre.


Mas, por outro lado, – e é isso o que importa –, os gostosões do hot são, sim, versados na erótica feminina. E, sim, têm perfeita ciência de como conduzir as mocinhas aos portões do paraíso. Seja em orgasmos explosivos ou intermitentes, seja em maratonas de rala e rola ou rapidinhas roubadas, o que não lhes falta é proficiência, repertório e ferramenta. Vale tudo nessa hora, of course: línguas eloquentes, dedos furiosos, mãos curiosas, bocas macias e paus incansáveis. Quem já leu um bom hot, sabe que dá pra suar só com os olhos...


Portanto, reafirmo, sem medo de errar, que o conhecimento sobre a erótica feminina, demonstrado pelos personagens dos romances hot, está fincado na realidade. Já o seu pau... bom, o seu pau é só ficção mesmo. Razões? Simples, minhas caras. O bonitão do hot é, em sua larguíssima maioria, uma cria feminina. Dito de outra forma: ele é a criação de uma ESCRITORA, que parte da sua própria realidade e conhecimento, para construir a realidade e o conhecimento do seu personagem. Já parou pra pensar?


O bonitão do hot é uma criação feminina

Já falamos sobre isso em outras oportunidades. 99,9% dos autores de romances hot são mulheres. E, isso, moças, faz do romance hot uma narrativa essencialmente libertadora para a sexualidade feminina. São mulheres falando sobre um corpo que lhes pertence e, consequentemente, sobre o que lhes dá prazer e como; sobre suas fantasias, sobre suas aspirações relacionais, sobre o que desejam dos seus parceiros ou parceiras.


Vocês conseguem dimensionar o quanto isso é fantástico? É absolutamente sensacional porque, historicamente, a narrativa sobre nosso corpo, nossa sexualidade e prazer foi feita pela voz e pelo viés masculino. Não por acaso, a literatura de cunho erótico, considerada “séria”, ou seja, “de qualidade”, é aquela escrita por homens. Uma literatura cuja interlocução com a realidade também se deu com as vozes de outros homens: o médico, o padre, o pastor, o professor, o pai, o marido. Foram estas vozes que determinaram o “lugar” da mulher e o caráter da sua sexualidade: no recesso do lar, no silêncio da oração, na abnegação maternal, na obrigação marital.


Por isso, minhas Amoras, o romance hot, escrito por essa tempestade feminina incrível é absurdamente sensacional. Não apenas nos devolve o que é nosso por direito, como constrói o que desejamos a partir do conhecimento que temos sobre nós mesmas e nosso próprio corpo. Sabe aquela frase, que muitas de nós ouvimos na infância, menina, tira a mão daí?! Bom, hoje, as autoras de hot, através dos seus bonitões bem versados, nos obrigam a ler os livros com uma mão só. Ainda bem!


Resta lembrar que, também aqui, detratores não faltam. Mas eu realmente acredito no poder da educação. O que não falta é material de leitura para instruir os brutos. Se passar do impacto do palmo e meio de pica, então a coisa desliza fácil, sem precisar de cuspe. Aí o aprendizado é certo. E a gente bate palma. Né?


Beeeeeijo da Rosa e até a próxima prosa!


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[1] O clichê do elevador é a segunda edição, revista e atualizada do conto “O homem perfeito”, integrante da coletânea “Quatro contos eróticos”, disponível apenas na versão física, pelo selo editorial Auctor. O clichê... está disponível apenas em e-book, na Amazon e gratuito pelo Kindle Unlimited.

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